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Não cai do céu!

É mito falar que nascemos com o dom da aceitação. Aceitação é dedicação, treino disciplina. Como qualquer outra coisa que se quer desenvolver.

E, de fato, é muito mais fácil aceitar nos palcos do que na peça da nossa vida. E meu maior exemplo, aquilo que me força a treinar a aceitação com maior intensidade é a educação da minha filha.

Não, papai; é a mamãe! Não, papai; não quero que você leia a historinha! Não, papai; não vou tomar banho! Não, papai… Não, papai… Não, papai… Ecos muitas vezes acompanhados de choro, gritos, crises. Suficientes para fazer meu sangue italiano ferver imediatamente.

E no final do dia, quando páro para pensar como agi e reagi com ela e como respondi a essa demanda de uma criança de dois anos e meio (que está ainda muito aquém de conseguir controlar seus sentimentos, processá-los e comunicá-los) é que eu percebo o quão impaciente eu fui. Aliás, se nem nós “adultos” conseguimos dominar nossas emoções, por que exigir de uma criança?

E na vida real, aceitação e paciência têm que andar juntas.

Eu tenho que aceitar que ela não vai responder sempre da maneira como eu quero. Eu tenho que aceitar que o jeito dela é diferente do meu (e neste caso, promover e apoiar essa divergência!). Eu tenho que aceitar que, na grande maioria das vezes, eu é que tenho ter mudar, eu vou ter que abrir mão, eu vou ter que me adaptar àquilo que ela precisa.

E pra que eu possa curtir esses momentos com ela, preciso ir além! Não só me adaptar e fazer por fazer, mas ser feliz naquilo. Fazer com propósito. Estar presente (Presença, aliás, é outro conceito do improviso. Falaremos mais dele em posts futuros). Porque senão os dias passam, os momentos juntos passam, nossa vida passa e o que fica é só a dor, a frustração, a vontade de ter sido feito do meu jeito e não do dela. E se perde essa fase tão bonita de mostrar, educar, conVIVER.

O passo zero para aceitação é aceitar-se! E para nos aceitarmos temos que nos auto-conhecer!

Simplesmente para nos aceitarmos como somos. Não só de uma maneira condescendente, conformada, mas de modo pró-ativo: estando cientes dos nossos defeitos, dos nossos pontos de melhoria e nos comprometendo ao máximo a melhorá-los.

O sucesso vem com pequenos fracassos. E aceitar que, como pai, eu vou ter pequenos fracassos durante toda a minha trajetória como educador, já é um aprendizado para sempre buscar o melhor para minha filha, para mim e para a nossa relação.

E para me ajudar a lembrar de como é importante dizer mais sim e como vale a pena quando trabalho minha paciência, gravei um vídeo rápido, mostrando exemplos do meu dia a dia com a Nina e ilustrando a técnica de improviso teatral do SIM:

Se você tem dicas de como colocar em prática a aceitação com crianças (e por que não adultos também) deixe aqui seus comentários! Se você se viu lendo esse texto, compartilhe! Vamos nos ajudar a improVIVER!

Grande abraço!

E improVIVA!

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6 comentários sobre “Não cai do céu!

  1. Ana Lucia Merlo disse:

    Muito interessante mas sabe que não esqueço uma experiência com uma das minhas filhas tinha 4 anos? Ela me pediu algo e eu respondi ‘sim você pode ir passear com sua tia'( no jardin de Araras) mas ela me respondeu ‘mas eu não quero ir mamãe’. Ela estava querendo ouvir um ‘nao’ bem redondo!
    Muitas vezes a criança tb precisa de um limite. Ela até pode se sentir frustada no momento que lhe negamos alguma coisa e achar que é o pior momento da vida dela, porém mais tarde, com a chegada da maturidade, ela vai conseguir ver que no final, não foi tão mal assim. Qu’est-ce que vous en pensez???

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Ana Lucia, obrigado pelo comentário! Compartilhar experiências é a melhor forma de fazer-nos pensar e ajudar-nos mutuamente, né!? Limites são fundamentais! E, como pais, é nossa responsabilidade saber como e quando colocá-los. E o “como” é exatamente a parte que preciso sempre me exercitar. Aqui em casa temos também regras, horários, e questões não negociáveis. E ouvimos muito choro de frustração. Tudo isso faz parte! Mas é nesse ponto que preciso treinar minha paciência. Daí o “aceitação e paciência andam sempre juntas”. Já tem um post no forno sobre “o outro lado da aceitação”. Continue acompanhando o blog para me passar sua opinião quando ele sair! Et votre français est parfait 😉 Bonne semaine!

      Curtir

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